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SÃO JOÃO DEL-REI SEDIA 8º CONGRESSO DAS APACS

Os quatro dias de evento foram marcados por comoção e importantes reflexões acerca da execução penal
Publicada em 18/07/2017

 

 

De 13 a 16 de julho, a Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC) realizou o 8º Congresso das APACs. O evento contou com o apoio da Fundação AVSI, da AVSI Brasil e da União Europeia, e foi sediado na Universidade Federal de São João del-Rei, em Minas Gerais. Ao todo, estiveram reunidas cerca de 400 pessoas de diferentes setores da sociedade.

 

O novo Centro de Reintegração Social da APAC feminina de São João del-Rei foi inaugurado no primeiro dia de evento. Em seguida, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) realizou o Encontro de Magistrados das Comarcas com APACs instaladas e em instalação, com o tema "Compartilhamento de Experiências, dificuldades e êxitos na desafiante tarefa de reconstrução do ser humano preso". O encontro contou com a participação do presidente da AVSI Brasil, Fabrizio Pellicelli no painel “A parceria da comunidade, a importância da FBAC e a responsabilidade social na expansão da APACs”. Estavam presentes também o diretor executivo da FBAC, Valdeci Ferreira, e o gestor do Instituto Minas Pela Paz (IMPP), Maurílio Pedrosa.

 

A abertura oficial do evento causou grande comoção entre os presentes. Compareceram ao encontro recuperandos, familiares, voluntários, parceiros, autoridades e representantes de APACs de 12 estados: Minas Gerais, Maranhão, Rio Grande do Norte, Bahia, Rio Grande do Sul, Amapá, Espírito Santo, São Paulo, Rondônia, Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal. Entidades de 10 outros países também marcaram presença (Colômbia, Paraguai, Itália, Portugal, Nicarágua, Bolívia, Coreia do Sul, Alemanha, México e Costa Rica), estudantes e membros de instituições religiosas.

 

Oficinas, mesas redondas e apresentações culturais foram algumas das atividades realizadas nos dias do congresso. Diversas autoridades discursaram sobre a importante atuação das APACs. O idealizador e criador da metodologia apaquiana, Dr. Mário Ottoboni, aos 86 anos, destacou que as dificuldades sempre fizeram parte do caminho das APACs mas que, segundo ele, “foi esse sofrimento que fez com que estivéssemos todos aqui hoje, reunidos”.

 

Participação da AVSI Brasil

 

A AVSI Brasil, parceira das APACs desde 2009, participou de alguns momentos da programação. Jacopo Sabatiello, diretor vice-presidente da AVSI Brasil foi entrevistado por Tio Flávio, junto aos demais entrevistados, o diretor do IMPP, Cledorvino Belini, o procurador de justiça de MG, dr. Antônio de Pádova e o coordenador executivo do programa Novos Rumos, o desembargador José Antônio Braga para falar sobre a “A importância dos parceiros para o fomento das APACs”.

 

Cada entrevistado falou sobre as instituições que representavam, a relação com as APACs e como surgiu a parceria. Jacopo salientou que “nunca trabalhamos com Direitos Humanos dos condenados em todo o mundo porque achávamos que não era nossa vocação ou competência. Conhecemos a metodologia através de Cledorvino Belini. Ficamos incrédulos porque não imaginávamos como poderia funcionar uma APAC, mas, ao conhecer, visualizamos muitas sinergias entre os princípios norteadores da AVSI Brasil e da APAC. Hoje trabalhamos a nível nacional fortalecendo a FBAC e as APACs como política pública e a nível internacional com divulgação e sensibilização do tema, sempre com o apoio da União Europeia”.

 

A mesa redonda “A dimensão internacional do método APAC” contou com a mediação de Fabrizio Pellicelli, presidente da AVSI Brasil e a participação de Giorgio Pieri, da Itália, Irmela Abrell, da Alemanha, e Lacides Hernandéz, da Colômbia. Giorgio destacou que a recuperação do preso deve envolver a sociedade como um todo e que um dos principais desafios enfrentados na Itália é a falta de incentivo do poder público, que para ele logo será superada. Irmela apontou a aceitação da sociedade como principal obstáculo da Alemanha na implementação do método. Segundo Lacides, a Colômbia é um terreno fértil para as APACs, mas que precisa haver mobilização dos três poderes e esta é a tarefa mais difícil.

 

Encerrando a discussão, Fabrizio destacou que “o método parece estar materializado em algumas pessoas, no papel de Valdeci, Dr. Mário e Dr. Paulo, que se tornaram uma companhia para quem está tentando fazer isso sozinho lá fora. Esse é um papel importantíssimo para a FBAC que demonstra imensa força e espírito solidário brasileiro”.

 

O clima era de intensa troca de conhecimento e aprendizado. Valdeci Ferreira da FBAC, ao final do Congresso, declarou que “quando nos deparamos com esses números de APACs aqui presentes, ao todo 65 em diferentes estágios de implementação e de lugares tão distantes, vemos que muito está sendo feito. Mas quando expandimos o horizonte para a realidade de miséria e sofrimento nos presídios no mundo inteiro, vemos que ainda há muito a ser feito. Ficam dois sentimentos ao final: gratidão a Deus por nos manter de pé e perseverança para que todos continuem acreditando na recuperação dos presos”.

 

Do amor ninguém foge

 

Durante os quatro dias do Congresso, o público pode visitar a mostra “Do amor ninguém foge”, organizada pela AVSI Brasil. A exposição desperta a curiosidade do que há por trás dos muros da APAC. Os painéis retratam de maneira sensibilizadora, a realidade dos presídios no Brasil e como a APAC atua no sentido de humanizar e ressocializar o preso na busca por condições dignas no cumprimento da pena.

 

A mostra tem sido um elemento fundamental para a sensibilização em torno das APACs. Ela já foi exposta em Rimini (Itália), Madri (Espanha), Lisboa (Portugal) e Rio de Janeiro.



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