Montar circuitos, soldar peças, desenvolver protótipos e transformar ideias em soluções reais. Estudantes do Ensino Fundamental têm descoberto novas formas de aprender por meio de atividades práticas que unem criatividade, tecnologia e protagonismo estudantil.
É essa a proposta do projeto Rota do Saber, iniciativa desenvolvida em parceria entre a Stellantis, AVSI Brasil e prefeituras, que vem fortalecendo a educação pública ao integrar teoria e prática através da abordagem STEM — sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática — e da metodologia maker.
Atualmente, o projeto acontece em quatro escolas participantes e em três Espaços Maker localizados nos municípios de Betim (MG), Goiana (PE) e Porto Real (RJ). No primeiro ciclo, cerca de 147 estudantes participaram das atividades. Já no segundo ciclo, o número passou para 229 estudantes.
Para Tatiana Belo, coordenadora do projeto em Goiana (PE), conectar teoria e prática torna a aprendizagem mais significativa para os estudantes. “Quando o aluno vivencia na prática o que aprende, o conteúdo faz mais sentido e o aprendizado fica mais leve, interessante e significativo. Muitos estudantes aprendem conteúdos na escola sem entender onde aquilo será usado. Quando conseguem testar, construir e colocar a mão na massa, o interesse muda completamente”, afirma.
Ela explica que a metodologia também contribui para fortalecer a confiança e a participação dos alunos. “Muitos chegam achando que tecnologia, robótica ou programação são coisas distantes da realidade deles e, aos poucos, começam a se enxergar nesses espaços. A gente percebe alunos mais participativos, curiosos e confiantes.”
Além dos conteúdos técnicos, o projeto também estimula habilidades socioemocionais, criatividade, cooperação e autonomia. Para a educadora Jéssica Correa, de Porto Real (RJ), as atividades despertam maior interesse dos estudantes e tornam o ambiente escolar mais dinâmico. “A turma considera o projeto uma experiência nova e muito importante para o currículo escolar. As atividades são mais dinâmicas. Os alunos destacam o interesse em participar e vivenciar novas formas de aprender dentro da escola.”
O impacto também é percebido pelas famílias. Responsáveis pela estudante Ana Julia Abreu Sant’Ana relatam que a robótica passou a influenciar diretamente os sonhos e escolhas da adolescente para o futuro. “A robótica tem despertado seu interesse por áreas específicas. Hoje ela busca cursos ligados à mecatrônica e inteligência artificial. Em todas as aulas, ao chegar em casa, faz uma verdadeira ‘resenha’ sobre o que aprendeu, sempre com muito entusiasmo.”
De acordo com o levantamento publicado pela UTFPR, práticas pedagógicas baseadas em STEM e a metodologia maker favorecem justamente o desenvolvimento de habilidades técnicas e humanísticas, além de promover maior engajamento dos estudantes por meio da aprendizagem “mão na massa” e da resolução de problemas.
Mais do que aproximar estudantes da ciência e da tecnologia, o Rota do Saber busca fortalecer a educação pública como espaço de descoberta, criação e construção de novos caminhos para o futuro.