Em São Paulo – SP, no Ceará – CE e no Rio de Janeiro – RJ, ações articuladas com a comunidade fortalecem o consumo consciente, ampliam o acesso a direitos e promovem práticas coletivas de cuidado com o território.
O cuidado com o meio ambiente nem sempre começa com grandes estruturas. Em muitos territórios, ele nasce no cotidiano, a partir de decisões simples que, quando compartilhadas, se transformam em prática coletiva.
Nos territórios onde atuam os Projetos Sociais Enel (Enel Compartilha), como em São Paulo Ceará e Rio de Janeiro, iniciativa da Enel com execução da AVSI Brasil, esse processo está diretamente ligado às condições de vida da população. Em contextos marcados por desigualdades socioambientais, o acesso a serviços, a informações e a iniciativas sustentáveis ainda é limitado. O descarte inadequado de resíduos, o uso ineficiente de energia e as dificuldades no acesso a direitos básicos se sobrepõem, impactando o cotidiano das famílias.
A atuação do projeto responde a esse cenário com uma abordagem integrada, que articula relacionamento com a comunidade, desenvolvimento local e educação para o consumo consciente de energia. A partir dessa atuação, a AVSI Brasil contribui na mediação entre a empresa e os territórios, fortalecendo canais de escuta, aproximando serviços e ampliando o acesso da população a direitos e oportunidades.
Como os projetos se estruturam nos territórios
No Ceará, essa atuação alcança dezenas de municípios, com presença direta em 69 cidades e beneficiando pessoas de 96 municípios, ampliando o acesso à informação, à Tarifa Social de Energia Elétrica e a práticas de consumo consciente.
Em São Paulo, a iniciativa se organiza a partir de quatro projetos — consumo consciente, cidadania, oportunidade e liderança em rede — que combinam ações educativas, visitas porta a porta, formação profissional e articulação comunitária, criando um ecossistema de atuação que conecta acesso a direitos, geração de renda e engajamento local.
No Rio de Janeiro, a atuação se dá por meio de visitas domiciliares, campanhas educativas e presença em territórios tradicionais, fortalecendo canais de escuta e aproximando a população dos serviços, com foco no uso seguro e eficiente da energia.
Liderança que mobiliza a comunidade
Na Zona Leste de São Paulo – SP, esse trabalho ganha forma no cotidiano da comunidade a partir da atuação de Alexandra, conhecida como Preta. Liderança comunitária, ela mobiliza moradores, organiza demandas e facilita o acesso às ações do projeto.

“O projeto fez grande diferença na nossa comunidade. A gente está numa área de muita vulnerabilidade, e as pessoas precisavam dessa ajuda”, afirma.
Sua atuação se constrói na relação com os moradores. A partir da escuta, ela articula atendimentos, orienta famílias e contribui para ampliar o acesso a iniciativas como a Tarifa Social e às ações educativas.
Mudanças no cotidiano das famílias
“O que as pessoas mais precisavam era de uma conta mais baixa. E você saber que conseguiu trazer isso para dentro do seu bairro… isso não tem preço”, conta.
Na prática, esse trabalho se traduz em mudanças concretas. A redução do valor das contas e o acesso à informação sobre o uso eficiente da energia impactam diretamente a organização das famílias. “Você saber que conseguiu proporcionar uma melhoria com uma lâmpada… isso não tem preço”, relata.
Práticas coletivas no território
Ao mesmo tempo, as ações educativas fortalecem uma cultura de uso consciente da energia e de cuidado com o meio ambiente. Encontros, palestras e mobilizações locais promovem mudanças de comportamento e ampliam o entendimento sobre o impacto das escolhas cotidianas. “Hoje as pessoas já entendem melhor. Antes deixavam luz acesa, não tinham essa preocupação. Agora já pensam, já cuidam mais”, explica.
Esse movimento também se conecta à gestão de resíduos e à organização do território. A mobilização comunitária fortalece práticas como o descarte correto e amplia a participação dos moradores na construção de soluções locais.
Oportunidades e continuidade
A atuação das lideranças é central nesse processo. Ao organizar a comunidade e facilitar o diálogo com os serviços, elas contribuem para que as ações deixem de ser pontuais e passem a fazer parte da rotina do território.
Além disso, o projeto também amplia oportunidades por meio de cursos e formações, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades e a inserção produtiva dos participantes.
A própria Preta é um exemplo desse percurso. A partir das oportunidades oferecidas, ela se qualificou na área elétrica e segue atuando como multiplicadora das ações no território. “Eu fiz o curso, me formei e continuo divulgando. A gente vai levando informação e oportunidade para mais pessoas”, conta.
Ao longo do tempo, esse conjunto de ações amplia o acesso a direitos, fortalece a organização comunitária e sustenta o protagonismo das lideranças na condução de mudanças no território. “É gratificante saber que você está ali para ajudar. Isso muda a nossa perspectiva de vida”, afirma.
A experiência mostra que o cuidado com o meio ambiente, quando construído a partir da relação com as pessoas e com o território, deixa de ser uma orientação distante e passa a fazer parte da vida cotidiana, sustentado pela participação ativa das comunidades.
Energia e Meio Ambiente
Em 2025, o eixo de Energia e Meio Ambiente concentrou a maior escala de atuação da AVSI Brasil, alcançando aproximadamente 312 mil beneficiários diretos por meio de projetos de eficiência energética, educação ambiental, reciclagem, tarifa social e mobilização comunitária em diversos estados. As ações envolveram troca de lâmpadas, formação de educadores, atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade, fortalecimento de territórios tradicionais e iniciativas de economia circular, resultando também em expressivos ganhos ambientais, como toneladas de resíduos desviados de aterros, economia energética e redução de emissões. Com forte articulação entre empresas, poder público e comunidades, o eixo consolidou-se como uma frente estratégica de desenvolvimento sustentável, acesso a direitos e inclusão produtiva, ao mesmo tempo em que dialogou com eixos complementares como socioeducacional, trabalho e parcerias multissetoriais.
