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Migrantes e refugiados venezuelanos são recebidos em Guapirama para trabalharem no ramo da construção

Famílias estavam em Roraima e foram interiorizadas pelo projeto Acolhidos por meio do trabalho, como apoio às ações da Operação Acolhida

Recomeçar a vida em um novo país, com um emprego fixo e apoio social. Apesar de parecer um sonho distante para muitos migrantes e refugiados no Brasil, isso se tornou realidade para 26 venezuelanos que chegaram em Guapirama, no Norte do Paraná. A maioria estava em centros de acolhimento na cidade de Boa Vista (RR), depois que deixaram o seu país de origem, devido à crise econômica, política e social.

A oportunidade de emprego no Sul do país, surgiu a partir de uma parceria entre a empresa Cerâmica Triunfo, que abriu o processo seletivo – o Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados (SJMR Brasil), que foi acionado para conhecer a empresa; e a AVSI Brasil, que faz a gestão de cinco abrigos para migrantes e refugiados em Boa Vista, e implementa o Acolhidos por meio do trabalho, projeto que promove a interiorização dos abrigados para outras localidades do país, a partir de vagas junto à iniciativa privada.

A seleção e as entrevistas foram acompanhadas pela AVSI Brasil e SJMR Brasil, no início do mês e dez pessoas foram aprovadas pela empresa. A interiorização de cada colaborador e seus familiares foi realizada na última semana, totalizando 26 pessoas. As passagens aéreas de Roraima para o Curitiba, bem como o transfer partindo capital até a cidade de destino, foram cedidas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), como apoio às ações da Operação Acolhida.

A chegada do grupo em Guapirama foi acompanhada pela AVSI Brasil e obedeceu aos protocolos preventivos de segurança. É nesta cidade que o grupo passa a residir em habitações temporárias, por um período de três meses. A moradia foi cedida pela própria empresa, que alugou seis casas, onde as famílias se dividirão. As habitações foram equipadas com itens básicos, como geladeiras, camas, fogões, mesas e cadeiras, adquiridas pela AVSI Brasil e doações da própria comunidade. O projeto Acolhidos por meio do trabalho também prevê o acompanhamento de uma assistente social, que dará apoio para a integração local do grupo, durante os três primeiros meses.

A gerente do projeto na AVSI Brasil, Thais Braga, explica que o auxílio desta profissional é fundamental para que eles se sintam inseridos na nova cidade. “A assistente social fará visitas de rotina e prestará suporte com informações da região e irá apresentar os serviços básicos, entre outros pontos. Isso é muito importante, já que essas famílias acabaram de chegar em um local que não conhecem”, pondera Thais. Ela também explica que a profissional irá acompanhar toda a transição do grupo. “A partir do quarto mês, cada colaborador ficará responsável pelo seu aluguel, já prevendo seus proventos. Então durante todo esse período, a assistente social prestará informações de educação financeira e irá acompanhar a autonomia do grupo, para que o projeto se encerre ao mesmo tempo em que eles já estiverem inseridos e com independência financeira para seguir suas vidas”, explica.

Protocolos de prevenção

Todos os novos contratados já concluíram as etapas do processo seletivo e estão com as documentações e vacinas em dia. Logo que chegaram na cidade, foram submetidos a exame de Covid-19, previsto pela Prefeitura da cidade. Agora eles cumprem um período de quarentena, durante 14 dias, para que iniciem as atividades laborais. Representantes da empresa e do poder público local recepcionaram os migrantes, com ação de boas-vindas e orientações sobre a nova fase que viverão na região.

O representante da empresa contratante, Joel Bueno, explica que resolveu abrir a oportunidade para os migrantes, a partir de uma experiência pessoal. “Em 1999 deixei o Brasil para buscar oportunidades nos Estados Unidos. Eu já era casado e trabalhei com delivery e na construção civil, e mandava o dinheiro para minha esposa, que ficou no Brasil com três filhos pequenos. Então, depois de nove anos, a gente conseguiu investir com essas economias. Entendo perfeitamente o que essas pessoas estão passando e acredito que esse gesto pode ajuda-los. Foi uma forma que encontrei para retribuir tudo o que eu recebi lá fora, quando precisei”, avalia o empresário.

Os dez novos funcionários irão atuar como oleiros, ou seja, com o manuseio de tijolos para enforna, podendo exercer outras funções de acordo com a desenvoltura de cada um. Entre os contratados, há um homem surdo; um pai cujo filho tem paralisia cerebral e outro homem com uma esposa cadeirante. Um filho deste casal também foi selecionado para trabalhar na empresa.

O projeto

O Acolhidos por meio do trabalho é implementado pela AVSI Brasil e Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), com o envolvimento da Fundação AVSI e AVSI-USA e financiado pelo Departamento de População, Refugiados e Migração (PRM) do Governo dos Estados Unidos.

Entre as principais ações, o projeto prevê a colocação no mercado de trabalho e interiorização de venezuelanos adultos com suas famílias, além da colocação no mercado de trabalho de brasileiros em situação de vulnerabilidade social; e cursos preparatórios vinculados ao mercado de trabalho, de língua portuguesa e formação em direitos e deveres laborais, entre outros aspectos.

Em um ano, o projeto realizou a interiorização de 490 venezuelanos, sendo que 261 deles, foram contratados no mercado formal e os outros 229 foram acompanhantes familiares, totalizando 15 processos de interiorização, sendo 5 em Santa Catarina, 2 no Mato Grosso, 2 em Minas Gerais, 2 no Distrito Federal e 1 nos seguintes estados: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

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