Milão, 14 de abril de 2026 – A AVSI, com o apoio do Município de Milão, realizou no Palazzo Marino o encontro “Milão – uma cidade que coopera. Como e quando a mobilidade é fator de desenvolvimento”, reunindo instituições, sociedade civil, universidades e setor privado para discutir como a mobilidade humana pode se tornar fator de desenvolvimento.
Entre as iniciativas apresentadas, esteve a Casa Bom Samaritano, desenvolvida no Brasil e gerida pela AVSI Brasil e pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), com a parceria do ACNUR e da Embaixada da Itália. A ação foi compartilhada como referência de acolhimento e integração, evidenciando como programas estruturados podem favorecer a autonomia das pessoas atendidas e contribuir para o desenvolvimento das comunidades locais.

Um caminho que coloca a pessoa no centro
Um dos elementos centrais do encontro foi a valorização de abordagens que partem da pessoa e de sua dignidade. A mobilidade humana foi tratada não apenas como um fenômeno a ser gerido, mas como uma realidade que envolve trajetórias individuais, vínculos e potencial de desenvolvimento.
Nesse contexto, Ir. Rosita Milesi destacou o método que orienta a Casa Bom Samaritano, estruturado em quatro dimensões: acolhimento, proteção, promoção e integração. Esse percurso favorece a reconstrução de vínculos e o desenvolvimento da autonomia das pessoas atendidas, evitando respostas fragmentadas.
Não apenas acolhimento, mas integração
O primeiro painel destacou a necessidade de superar respostas centradas apenas na assistência, avançando para percursos que promovam autonomia. A mobilidade humana foi apresentada como uma oportunidade quando acompanhada por trajetórias de inserção social e laboral.
As iniciativas apresentadas mostraram que a integração exige continuidade, articulação de serviços e acompanhamento ao longo do tempo, permitindo que as pessoas reconstruam suas vidas em novos contextos.
Co-programar: instituições, sociedade civil e empresas
O segundo eixo do encontro colocou em evidência o método da co-programação, entendido como construção conjunta entre diferentes atores. A integração, segundo os participantes, não pode ser conduzida por um único sujeito, mas exige articulação entre políticas públicas, iniciativas sociais e participação do setor privado.
Esse debate esteve presente no painel que reuniu Regis Spindola e Fabrizio Pellicelli. Na ocasião, foi destacada a importância de alinhar sistemas de proteção social, redes territoriais e cooperação internacional para sustentar respostas mais consistentes à mobilidade humana.
Spindola apresentou a experiência brasileira da Operação Acolhida como exemplo de articulação entre governo, organismos internacionais e sociedade civil, enquanto Pellicelli ressaltou o papel das parcerias na construção de caminhos sustentáveis entre diferentes contextos.

O papel do trabalho e do setor privado
O terceiro painel abordou a relação entre mobilidade humana e trabalho, destacando o papel das empresas na promoção de canais regulares de migração e na inclusão produtiva.
A integração foi apresentada como um processo que se completa na inserção socioeconômica. Nesse sentido, o setor privado aparece como agente decisivo para transformar percursos de acolhimento em oportunidades de autonomia e participação social.
Milão como espaço de articulação internacional
A experiência de Milão foi apresentada como um exemplo de cidade que articula atores diversos — instituições públicas, universidades, empresas e organizações sociais — para construir respostas compartilhadas.
Ao reunir iniciativas da Itália, do Brasil e da Tunísia, o encontro evidenciou que a mobilidade humana, quando acompanhada por políticas estruturadas e parcerias consistentes, pode gerar valor econômico, social e cultural para as pessoas e para as comunidades envolvidas.
