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Santa Catarina recebe mais dois grupos de migrantes e refugiados venezuelanos para trabalhar em frigoríficos na região Oeste

Ao longo do ano o estado recebeu cinco grupos, dentro do projeto Acolhidos por meio do trabalho, da AVSI Brasil. Foram 219 venezuelanos interiorizados, sendo 153 para trabalhar em frigoríficos nas cidades de Seara, Ipumirim e Itapiranga

Dois novos grupos de migrantes e refugiados venezuelanos chegaram em Santa Catarina em dezembro para reconstruir suas vidas a partir de seleções de emprego abertas por uma indústria frigorífica que atua com unidades em várias cidades do estado. Eles estavam abrigados em centros de acolhimento da Operação Acolhida, em Boa Vista (RR) e passaram por entrevistas remotas diretamente com as empresas, antes das contratações. Um dos grupos, composto por 12 pessoas, foi interiorizado para a cidade de Itapiranga. 11 deles já com contrato de trabalho e um, como acompanhante familiar. O outro grupo, com 36 pessoas foi para a cidade de Ipumirim, a meio Oeste do estado, com 23 deles aptos para o novo trabalho e o restante, integrantes familiares.

As vagas foram preenchidas após processos seletivos abertos pelas empresas contratantes, para migrantes e refugiados venezuelanos que estão em Boa Vista. A interiorização dos dois grupos foi realizada pela Associação de Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil), que gerencia cinco centros de acolhimento na cidade e implementa o projeto Acolhidos por meio do trabalho. O projeto prevê a interlocução com empresas e garante moradia temporária e o acompanhamento social por um período de até três meses para todos os venezuelanos contratados.

A interiorização do grupo para Ipumirim também contou com o apoio do Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados (SJMR). Para esta cidade, a acomodação foi organizada pela empresa contratante, que realiza um programa interno de moradia e oferece um aluguel diferenciado para funcionários que se deslocam de outras regiões para morar na cidade, a partir de um contrato de trabalho – com o desconto em folha, no valor de 110 reais por mês. O restante do aluguel é pago pela empresa.

Os novos contratados começam as atividades ainda no final do ano, após um período de interação com os demais colaboradores para adaptação. Eles também estavam com as documentações e exames médicos em dia – inclusive o exame de Covid-19, providenciado pela AVSI Brasil para a viagem. As empresas vêm adotando medidas preventivas em seu quadro de colaboradores, como controle de higienização, uso de máscaras, aferição de temperatura diária.

O projeto

Idealizado há pouco mais de um ano pela AVSI Brasil para fortalecer as ações da força-tarefa humanitária da Operação Acolhida, o projeto Acolhidos por meio do trabalho visa apoiar a integração de venezuelanos no Brasil, facilitando sua interiorização de Boa Vista para cidades brasileiras, onde há oportunidade de trabalho junto a empresas privadas. O projeto tem o envolvimento do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), da Fundação AVSI e AVSI-USA e é financiado pelo Departamento de População, Refugiados e Migração (PRM) do Governo dos Estados Unidos, além do apoio institucional da Casa Civil da Presidência da República, da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e de entidades da sociedade civil que atuam na temática do refúgio e da migração.

Em doze meses, o Acolhidos por meio do trabalho realizou a interiorização de 420 venezuelanos de Roraima para outros estados do Brasil, sendo que 227, foram contratados no mercado formal e os outros 193 foram integrantes familiares. Santa Catarina foi o estado que mais recebeu migrantes venezuelanos para trabalhar dentro do projeto. Em 2020, três empresas catarinenses contrataram 153 migrantes em cinco processos de interiorizações realizadas para as cidades de Seara (2), Ipumirim (2) e Itapiranga (1). Na sequência, o estado que mais recebeu venezuelanos foi Mato Grosso, com 35 contratações para atuar em uma indústria frigorífica na cidade de Lucas de Rio Verde e também para uma empresa alimentícia que atua em fazendas agroindustriais em Tangará da Serra e em Nova Mutum. O Distrito Federal vem em seguida, com 12 contratações de venezuelanos trabalhar em empresas do setor alimentício e do ramo de material de construção, todas de Brasília. Minas Gerais recebeu 10 migrantes para trabalhar em uma empresa do ramo da panificação na cidade de Itabirito. Três empresas de São Paulo, dos setores de vestuário, farmacêutico e shopping, contrataram juntas 9 mulheres venezuelanas. O Rio de Janeiro recebeu 7 venezuelanas para trabalhar em empresas no ramo do vestuário e locação de carros. Já uma empresa de acessório mecânicos, no Rio Grande do Sul, contratou 1 venezuelano que está morando na cidade de Frederico Westphalen.

Segundo a gerente do projeto, Thais Braga, todos os grupos interiorizados contaram com o acompanhamento de um assistente social durante os três primeiros meses em cada cidade. “Este acompanhamento permite a integração nas novas localidades, visando facilitar a adaptação com as comunidades, com as empresas e com os entes governamentais locais. Isto representa um fator positivo para as empresas, que estão cada vez mais sensibilizadas para a inclusão de migrantes e refugiados no mercado de trabalho. Outro fator que as empresas levam em consideração é a garantia de que os novos contratados tenham uma moradia para acomodar sua família nos meses iniciais, quando ainda não têm autonomia financeira suficiente para arcar com essas despesas”, explica.

Além de prever a colocação no mercado de trabalho e interiorização de venezuelanos com suas famílias, o Acolhidos por meio do trabalho também atua para a inserção de brasileiros, em situação de vulnerabilidade social, no mercado de trabalho e disponibiliza cursos de qualificação profissional, cursos de língua portuguesa e profissionalizantes, entre outros aspectos.

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