A Casa Bom Samaritano, no Distrito Federal, acolheu nos últimos dias 13 famílias migrantes venezuelanas, totalizando 65 pessoas, que iniciam uma nova etapa de integração no Brasil com apoio do projeto Acolhidos por meio do trabalho.
O espaço funciona como residência temporária para migrantes e refugiados interiorizados a partir de Boa Vista – RR, que passam a buscar oportunidades de trabalho e reorganização da vida em Brasília. A interiorização é o processo de deslocamento voluntário de migrantes e refugiados para outras cidades brasileiras, com apoio institucional, para facilitar a integração e o acesso ao trabalho. A permanência pode durar até três meses, período em que as famílias recebem acompanhamento para inserção no mercado de trabalho e fortalecimento da autonomia.
“Nós da equipe técnica ficamos muito felizes de poder começar um trabalho com essas novas famílias que chegaram. A perspectiva é de que a gente use esses 90 dias, que é o período que as famílias podem ficar na casa, para trabalhar a autoestima de todos”, afirma Graziella Guimarães, coordenadora do Centro de Acolhida.
O acolhimento inclui ações voltadas para inserção laboral, qualificação profissional, saúde e espiritualidade e integração social. Segundo Graziella, o período na casa busca oferecer suporte para que as famílias se sintam parte do território e possam construir novas referências no Brasil.

“Nesses três meses em que essas famílias vão ficar na casa, a gente vai fazer um trabalho com as crianças, com as mulheres e com os adultos em geral, principalmente com quem está em busca da inserção laboral. É um período em que a gente vai trabalhar vários temas, e a parte principal é gerar autonomia financeira para essas famílias, para que elas possam recomeçar”, explica.
Além do apoio para inserção laboral, a Casa adota uma metodologia de compartilhamento de responsabilidades no cotidiano do abrigo. O modelo de cogestão envolve os próprios acolhidos na realização de atividades diárias e na organização da convivência, seguindo premissas da metodologia Migrante Ajudando Migrante. De acordo com a avaliação sobre o processo de integração socioeconômica no Brasil, a maioria das pessoas entrevistadas apontou satisfação com as regras e com o funcionamento da casa.
Graziella destaca que, além do apoio prático, o acolhimento é marcado pelo acompanhamento humano, com foco em reconstruir vínculos e perspectivas para o futuro.
“A gente vê que essas famílias chegam com muita expectativa, com muitas incertezas e carregando um sonho na bagagem. Então, a gente como equipe tem esse papel de acolher, de proteger e de mostrar para eles que são capazes de um recomeço e que esse sonho, essa esperança, não vai parar ali nesses três meses. Eles vão continuar depois desse período que a gente acolhe, ajuda, encaminha. Eles vão recomeçar a vida e ter um futuro para sua família e para os seus filhos, que é o que eles mais almejam, um futuro para os filhos aqui no Brasil”, reforça.

A Casa Bom Samaritano também atua em colaboração com o setor privado do Distrito Federal para apoiar a inserção dos acolhidos em diferentes áreas. As oportunidades incluem vagas em supermercados, restaurantes, hotéis e na construção civil, com destaque para o setor de serviços, que concentra parte significativa das contratações em Brasília.
“Ter oportunidade de estudo, ter acesso à saúde e ter possibilidade de trabalho para a família, de gerar renda e mudar a realidade do dia a dia. É um recomeço para essas famílias”, conclui Graziella.
A iniciativa é implementada pela AVSI Brasil, em parceria com o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), das Irmãs Scalabrinianas, com financiamento da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). A ação integra os esforços da Operação Acolhida, força-tarefa humanitária coordenada pelo Governo Federal para responder à crise migratória venezuelana no país.
A Casa Bom Samaritano tem capacidade para receber até 94 pessoas simultaneamente, em sistema rotativo. O imóvel foi cedido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para apoiar iniciativas sociais e fortalecer o acolhimento humanitário.
