Grupo de migrantes e refugiados venezuelanos chegam para trabalhar em indústria de alimentos no Oeste catarinense

Sete famílias que estavam morando em Roraima foram interiorizadas pelo projeto Acolhidos por meio do trabalho, como apoio às ações da Operação Acolhida

Cada um dos 18 contratados foi interiorizado com a família para que possam recomeçar a vida juntos na nova cidade. Na foto, o grupo recebeu informações da empresa na semana em que chegaram.

Um grupo com 33 refugiados e migrantes venezuelanos desembarcou em Santa Catarina neste mês para iniciar uma nova vida na cidade de Videira, na região Oeste do estado.  18 deles foram aprovados para trabalhar em uma indústria de alimentos na região.  Eles estavam em Boa Vista (RR), depois que deixaram o país de origem devido à crise econômica e social. A maioria das famílias vivia em abrigos para migrantes, instalados pela Operação Acolhida. O grupo é composto por sete famílias, incluindo 13 crianças. Outras cinco pessoas são solteiras e chegaram desacompanhadas.

A oportunidade de emprego surgiu a partir do grupo Master Agroindustrial, que abriu o processo seletivo e escolheu os perfis dos candidatos com o apoio da AVSI Brasil, que implementa o projeto Acolhidos por meio do trabalho. O projeto prevê moradia temporária e suporte para alimentação diária durante três meses para todo o grupo interiorizado. Financiado com recursos do governo norte-americano, o projeto também disponibiliza o acompanhamento de um assistente social para apoiá-los na integração com a empresa e na comunidade local durante esse período. “Nós entendemos que essa transição merece muita atenção, já que essas pessoas estão saindo de abrigos em Boa Vista e não contam com recursos para arcar com aluguel ou outras despesas neste momento”, explica a gerente do projeto na AVSI Brasil, Thais Braga.

De acordo com Mario Faccin, CEO da Master, a empresa buscou o grupo como forma de atender parte de sua demanda por mão-de-obra, que continua grande, por conta da expansão da companhia. “Estamos falando de pessoas que vieram buscar uma chance para recomeçar suas vidas, deixando para trás uma realidade de fome e desesperança. Não temos dúvidas que vão agarrar esta oportunidade com toda força e, aqui, trabalhar com vontade, para que possam voltar a sonhar”, destaca Faccin.

O casal venezuelano José e Liany confirma esta expectativa. Eles estavam há três anos em Boa Vista, depois que deixaram o país de origem à procura de trabalho. O casal trabalhou durante um ano em uma chácara em Roraima e depois atuou como voluntário para apoiar a Força-tarefa da Operação Acolhida. Foi neste período que eles conheceram a equipe da AVSI Brasil e souberam da oportunidade para um trabalho em Videira. “Eu já estava procurando uma chance em algum lugar fora de Roraima há algum tempo, pois em Boa Vista é muito difícil conseguir algo fixo. Sou muito grato e estamos muito felizes pela oportunidade que a empresa nos deu. Queremos trabalhar com força. Aqui será nossa segunda família. Queremos aprender tudo o que vocês têm a nos ensinar”, disse o venezuelano que atuará com a esposa em uma das granjas da empresa.

Chegada em Santa Catarina

Os migrantes desembarcaram no aeroporto de Chapecó em voos alternados. As passagens aéreas foram cedidas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). Ao chegarem no estado, eles foram realocados para Videira e acomodados em moradias temporárias, sendo que 31 deles irão morar em casas alugadas pelo projeto Acolhidos por meio do trabalho, e um casal irá morar e trabalhar na granja da empresa, para cuidar de animais. 

Todos os 18 novos contratados começaram as atividades no final de abril e tiveram um dia de interação com os colaboradores da empresa para adaptação. Eles já concluíram todas as etapas do processo seletivo e estão com as documentações e vacinas em dia, inclusive com os testes de Covid-19. A empresa também vem adotando todas as medidas preventivas em seu quadro de colaboradores, como controle de higienização, uso de máscaras, aferição de temperatura diária.

Santa Catarina: estado que mais contratou migrantes pelo projeto

Com forte perfil industrial, o estado de Santa Catarina abriga importantes empresas de processamento de carne suína e de frangos – responsável pela maioria das contratações intermediadas pelo projeto. Em 18 meses de atuação, das 372 pessoas que saíram de Roraima para trabalhar em outros estados, 254 foram contratadas por empresas catarinenses (203 para duas empresas do setor de processamento de carnes na região Oeste do estado). Outras 27 pessoas foram contratadas por uma empresa que atua na fabricação de móveis, em Concórdia e 24 foram para trabalhar em uma empresa, no ramo de materiais hospitalares, em Blumenau. As vagas foram distribuídas em seis cidades do estado: Seara, Ipumirim, Concórdia, Blumenau, Itapiranga e Videira.

Acolhidos por meio do trabalho em Santa Catarina:

CIDADESCONTRATADOSFAMILIARESRAMO DE ATUAÇÃO
    
Seara9844Indústria de Alimentos
Ipumirim6732Indústria de Alimentos
Concórdia2724Fabricação de Móveis
Blumenau2461Produtos Hospitalares
Itapiranga205Indústria de Alimentos
Videira1815Indústria de Alimentos
Total254181435

Acolhidos por meio do trabalho no Brasil:

ESTADOCONTRATADOSFAMILIARESRAMO DE ATUAÇÃO
    
Rio Grande do Sul12Acessórios Mecânicos
Rio de Janeiro717Vestuário
Distrito Federal1219Setor Alimentício, Materiais de Construção
Paraná1218Construção
São Paulo1858Vestuário, Shopping, Aluguel Veículos, Farmácia
Minas Gerais3249Setor Alimentício, Fábrica de Congelados
Mato Grosso3628Indústria de Alimentos, Restaurante
Santa Catarina254181Indústria de Alimentos, Produtos Hospitalares, Fabricação de Móveis
Total372372744