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Há um ano no Brasil, casal venezuelano se estabiliza em Brasília a partir de uma oportunidade de emprego

Depois de alguns meses em Boa Vista, Anitzbelis foi aprovada em um processo seletivo para trabalhar como atendente em rede de restaurante em Brasília e hoje mantém o aluguel do apartamento em que vive com o marido e o filho

O dia 15 de novembro, que marca a proclamação da República no Brasil, é uma data importante para os brasileiros, mas a partir de 2019 passou também a ter um significado especial para a família de Anitzbelis Josefina Rodriguez. Este foi o dia em que ela saiu da Venezuela e migrou para o Brasil em busca de novas oportunidades.

Com 24 anos, casada e com um filho de três anos, Anitzbelis trabalhava como caixa em um supermercado na sua terra natal. O marido, Kevin, com 22, trabalhava em um hospital como enfermeiro, e mesmo assim a situação estava ficando insustentável pela grave crise vivida no país e que se instaurou na casa da família a partir de 2018. “Dois irmãos já estavam no Brasil há algum tempo e nos disseram para vir também, pois aqui encontraríamos mais oportunidades e a nossa situação estava bem difícil. Com o dinheiro do nosso trabalho, a gente só conseguia comprar comida e mais nada. Então eu e Kevin resolvemos tentar. Trouxemos conosco o nosso filho Miguel, minha mãe, minha irmã e minha sobrinha”, recorda a venezuelana.

Em Boa Vista, a família se dividiu. Anitzbelis, Kevin e Miguel ficaram na casa de uma irmã, que vivia numa casa alugada. A mãe, a irmã e a sobrinha foram para uma ocupação, onde vivia o outro irmão com cinco filhos. Quatro meses depois, Anitzbelis conseguiu uma vaga no centro de acolhimento Santa Tereza, onde foi morar com o marido e o filho. “Havia muitos venezuelanos em Boa Vista e foi difícil achar trabalho. Kevin conseguia algumas diárias no ramo da construção civil, mas não era sempre. Então tínhamos a ideia de abraçar alguma oportunidade de interiorização, para qualquer lugar do Brasil”, relembra a esposa.

Foi então que o casal começou a realizar trabalhos voluntários dentro do abrigo. Ajudavam na limpeza, distribuição de comida, nas aulinhas para as crianças e até na enfermaria. Foi numa dessas atividades que Anitzbelis soube de um processo seletivo para trabalhar em Brasília. A oportunidade surgiu a partir do envolvimento do grupo Levvo, a empresa que abriu o processo seletivo, com a organização humanitária Refúgio 343, que preparou os candidatos para a vaga e a AVSI Brasil, que implementa o Acolhidos por meio do trabalho – projeto que prevê a interiorização de venezuelanos pelo trabalho, com direito ao acompanhamento da família, moradia temporária e a visita de um assistente social regularmente para a adaptação na cidade de destino.

A família de Anitzbelis foi interiorizada com outros 24 venezuelanos, sendo que nove deles para trabalhar junto com ela na empresa. A chegada do grupo foi realizada em agosto e agora, já passado o período de experiência no trabalho e da moradia temporária prevista no projeto, a venezuelana foi efetivada e mantém o aluguel de um apartamento, que divide com outro casal de venezuelanos. “O meu sonho é dar uma vida melhor para o meu filho. Então eu busco evoluir no emprego e pretendo me inscrever em seleções internas para melhorar a carreira. Kevin está em busca de um emprego para atuar no contraturno do meu expediente, pois hoje ele cuida do Miguel enquanto estou trabalhando. Quando ele conseguir algo, nossa situação vai melhorar mais ainda e poderemos pensar em trazer o restante da família para mais perto. Já o sonho do Miguel é ser bombeiro ou policial. Mas hoje, aos 5 anos, o que ele mais pede é para ir na escola. Ele gosta muito de estudar e esperamos que neste ano a situação da pandemia melhore para que ele possa iniciar as atividades em alguma escolinha. Ele vai ficar muito feliz e nós também”, prevê Anitzbelis.

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