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Projeto que incentiva contratação de refugiados e migrantes ultrapassa o número de 500 pessoas acolhidas no Brasil

Em 18 meses, AVSI Brasil e parceiros intermediaram 284 contratações de venezuelanos que estavam em Boa Vista e puderam refazer suas vidas ao lado da família e com acompanhamento social garantido pelo ‘Acolhidos por meio do trabalho’

Neste mês o projeto Acolhidos por meio do trabalho ultrapassou o número de 500 interiorizações de migrantes venezuelanos que estavam em abrigos da Operação Acolhida, em Boa Vista (RR), para outras localidades do Brasil. Em um ano e meio, o projeto intermediou a contratação de 284 pessoas junto ao mercado de trabalho brasileiro. Outras 291 foram acompanhantes familiares que seguiram com os contratados para refazerem a vida nas cidades de destino. A ação é realizada pela AVSI Brasil e parceiros, com recurso financiado pelo Departamento de População, Refugiados e Migração (PRM), do governo dos Estados Unidos.

Elaborado para fortalecer as ações da Operação Acolhida – força tarefa humanitária liderada pelo governo federal, o projeto Acolhidos por meio do trabalho visa apoiar a integração de venezuelanos no Brasil, facilitando sua interiorização de Boa Vista para cidades brasileiras, onde há oportunidade de trabalho junto a empresas privadas.

Para a gerente do Acolhidos, Thais Braga, o resultado é bastante positivo, visto que o país sofreu impactos consideráveis sob o contexto de uma pandemia global a partir de 2020. “Nossa primeira interiorização foi realizada no início de fevereiro do ano passado. Naquele período ainda não havia registro da Covid-19 no Brasil. Intermediamos a contratação de 67 migrantes e refugiados para atuarem em uma indústria frigorífica na cidade de Seara, no Oeste de Santa Catarina – em uma ação conjunta com o Serviço Jesuítas para Migrantes e Refugiados. Junto aos contratados, outras 19 pessoas, membros familiares, também embarcaram para a nova cidade, totalizando neste primeiro grupo, 86 pessoas”, relembra. 

Para Thais, o sucesso da primeira interiorização marcava o prenúncio de novas ações pelo Brasil, já que outras empresas também sinalizavam o interesse na contratação de pessoal. Porém, a partir de março, o Brasil começou a contabilizar os primeiros registros decorrentes da pandemia, – “momento em que a equipe precisou rever o planejamento e desenhar novos protocolos para dar continuidade ao projeto, garantindo a segurança necessária para todos naquele momento”, explica a gerente.

A segunda interiorização ocorreu seis meses depois, em parceria com a organização Refúgio 343, para a contratação de dez atendentes para uma rede de restaurante fast-food, em Brasília. Com o acompanhamento dos familiares, o grupo somou 22 pessoas. “Desde então, felizmente, conseguimos realizar uma série de interiorizações pelo trabalho para diversos estados do Brasil. Compreendemos que, mesmo em um período tão delicado, as empresas desejam cada vez mais se engajar na assistência humanitária venezuelana”, explica Thais.

Interiorizações pelo país e o apoio das empresas

A partir de setembro, o Acolhidos por meio do trabalho promoveu mais 14 processos de acolhida em seis meses. Além do Distrito Federal, que recebeu o segundo grupo em outubro, os migrantes foram interiorizados para Mato Grosso (2 grupos), Santa Catarina (5), Rio Grande do Sul (1), São Paulo (1), Rio de Janeiro (1), Minas Gerais (2) e Paraná (1).  A interiorização mais recente ocorreu no final deste mês, quando 85 pessoas foram selecionadas para trabalhar em uma empresa de materiais hospitalares na cidade de Blumenau (SC). As viagens foram realizadas em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o apoio da Operação Acolhida.

Entre as vagas ocupadas pelos venezuelanos estão operador de produção, auxiliar de serviços gerais, mecânico, atendente de restaurante, apoio logístico, atendente, cozinheiro, oficial de cozinha e oleiro, em 12 empresas que aderiram ao projeto.

De acordo com a gerente, a sensibilidade das empresas parceiras foi crucial para que isso fosse possível, pois o projeto envolve vários elementos, como proteção, capacitação, preparo nas entrevistas dos candidatos e preza pela saúde de todos os colaboradores, antes e depois das interiorizações. “Para nossa equipe é muito importante garantir que os selecionados estejam aptos para as tarefas que foram aprovados. Uma condição primordial é que estejam saudáveis para este início. Então trabalhamos em sintonia com as empresas contratantes para garantir todas as condições necessárias, como o acompanhamento dos exames admissionais, vacinação, testes de Covid-19, entre outros”, explica.

O projeto

Todos os grupos interiorizados contam com moradia temporária, auxílio alimentação e o acompanhamento de um assistente social durante os três primeiros meses na nova localidade. Este acompanhamento permite que os migrantes possam equilibrar suas finanças a partir do novo emprego e, depois do quarto mês, obtenham a autonomia para custear sua moradia e alimentação – momento em que o apoio é finalizado. “Este suporte também gera tranquilidade para as empresas contratantes, pois os venezuelanos contratados não precisam administrar sozinhos questões como como contrato de aluguel, compra de mantimento, ou situações similares, podendo se dedicar integralmente ao novo trabalho”, pondera Thais.

A tendência é que as empresas sigam apostando na inclusão de migrantes e refugiados no mercado de trabalho. “Devido a situação de extrema vulnerabilidade pelo qual passaram, esses trabalhadores possuem muita vontade e determinação para se estruturarem e conseguirem recuperar a sua autonomia e perspectiva de futuro. Além disso, empresas que se comprometem com valores como diversidade e inclusão, apresentam um diferencial de marca relevante no mercado”, observa.

Além de prever a colocação no mercado de trabalho e interiorização de venezuelanos com suas famílias, o Acolhidos por meio do trabalho também atua para a inserção de brasileiros, em situação de vulnerabilidade social, no mercado de trabalho e disponibiliza cursos de qualificação profissional, cursos de língua portuguesa e profissionalizantes, entre outros aspectos.

O projeto tem o envolvimento do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), da Fundação AVSI e AVSI-USA e é financiado pelo Departamento de População, Refugiados e Migração (PRM) do Governo dos Estados Unidos, além do apoio institucional da Casa Civil da Presidência da República, da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e de entidades da sociedade civil que atuam na temática do refúgio e da migração.

Em 18 meses, o Acolhidos por meio do trabalho intermediou:

  • Interiorização de 575 venezuelanos de Roraima para outras cidades;
  • Contratação de 284 venezuelanos;
  • 16 processos de interiorização (para Santa Catarina (6), Mato Grosso (2), Minas Gerais (2), Distrito Federal (2), Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, Paraná (1));
  • Certificação de 260 venezuelanos em cursos de Língua Portuguesa e Preparação Laboral em Boa Vista/RR;
  • Certificação de 250 brasileiros no curso profissionalizante “Qualificação para atuar no contexto da pandemia”, em Salvador/BA;
  • Contato direto com 13 empresas contratantes;
  • Presença em 8 estados (incluindo o Distrito Federal);
  • Contratação de 8 brasileiros em situação de vulnerabilidade social, em Salvador.
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