Anuncio

Educação que amplia caminhos

Da descoberta à inserção profissional, iniciativas socioeducacionais da AVSI Brasil ampliam oportunidades para crianças e jovens em diferentes etapas da vida

No eixo socioeducacional, a atuação da AVSI Brasil organiza oportunidades educativas que acompanham crianças, adolescentes e jovens em diferentes momentos da formação, ampliando repertórios, fortalecendo vínculos e criando novas perspectivas de futuro.

Em territórios marcados por desigualdades sociais e limitações no acesso a oportunidades, iniciativas como o projeto Rota do Saber, o programa Árvore da Vida e o projeto Formare estruturam trajetórias complementares que articulam educação, tecnologia, cultura, desenvolvimento humano e inserção profissional. Juntas, essas ações formam trilhas socioeducacionais que ajudam jovens a descobrir capacidades, fortalecer a autoestima e construir caminhos mais autônomos.

Descobrir novas possibilidades

No Rota do Saber, a trajetória começa pela experimentação, integrando formação em tecnologia e formação humana. O projeto trabalha STEM e desenvolvimento humano para fortalecer escolas e comunidades, criando ambientes onde jovens podem testar ideias, errar com segurança e reconstruir seus planos de futuro.

Voltado a estudantes da rede pública, o projeto oferece formação em robótica, STEM, programação e cultura maker, permitindo que crianças e adolescentes tenham acesso a ferramentas tecnológicas ainda distantes de muitas de suas realidades cotidianas.

Para Roberthy Tales, de 14 anos, morador de Atapuz, vila de pescadores em Goiana – PE, essa experiência começou com a realização de um sonho. “Meu sonho era fazer robótica”, conta.

Ao conhecer o projeto na escola, Roberthy encontrou a oportunidade de acessar um universo até então distante. O interesse inicial pela tecnologia rapidamente ganhou novos significados. Ao longo das atividades, ele passou a compreender que aprender robótica não se limitava à montagem de peças ou à programação, mas envolvia raciocínio, disciplina, criatividade e novas formas de interpretar a própria realidade.

“Aprendi muitas coisas. Não só robótica, mas matemática, raciocínio e programação.”

Tatiana Belo, coordenadora de projetos da AVSI Brasil, destaca que esse processo também fortaleceu sua postura e sua visão sobre si mesmo. “Ele foi se descobrindo ali, percebendo o potencial que tinha.”

Ao longo do projeto, Roberthy passou a perceber que a tecnologia poderia ser usada para responder a desafios reais de sua própria comunidade.

Essa trajetória ganhou nova dimensão quando Roberthy e sua equipe desenvolveram o projeto Empodera Mar, criado a partir da observação direta das condições de trabalho enfrentadas por marisqueiras e pescadores de Atapuz – PE.

Na comunidade, a coleta e o beneficiamento do marisco representam importante fonte de sustento para diversas famílias. Uma das etapas mais desgastantes desse processo acontece após a coleta: o batimento manual do marisco para retirada da carne da concha.

Realizada de forma repetitiva, com ferramentas improvisadas e longas jornadas, essa atividade exige esforço físico intenso e provoca dores constantes e desgaste corporal.

Foi a partir dessa realidade, vivida dentro da própria família, que surgiu a ideia do projeto. Sua mãe, marisqueira, compartilhou a dificuldade diária enfrentada por quem depende desse trabalho. “Minha mãe falou que queria uma máquina para tirar ela e outras pessoas daquele sufoco.” A fala transformou vivência cotidiana em desafio tecnológico.

Roberthy e sua equipe passaram então a pensar em como a robótica poderia reduzir esse esforço físico, otimizar o processo e melhorar as condições de trabalho de trabalhadores locais.

Utilizando programação, motores e estruturas robóticas, o grupo criou um protótipo de máquina batedora de marisco capaz de automatizar parte do movimento repetitivo da atividade.

O projeto permitiu que jovens aplicassem conhecimento científico para responder a uma demanda concreta da própria comunidade.

A proposta buscava facilitar o trabalho, reduzir desgaste físico e ampliar produtividade em uma atividade central para a economia local. O processo exigiu pesquisa, testes, adaptação e colaboração. “No começo, cada um queria fazer sozinho. Depois a gente aprendeu o trabalho em equipe.”

Além de representar uma solução para a própria comunidade, o projeto passou a gerar desdobramentos fora do ambiente escolar.

Segundo Tatiana, o protótipo chamou atenção da Stellantis, financiadora do Rota do Saber, pelo potencial de desenvolvimento da proposta a partir de uma necessidade real das pessoas no território.

A possibilidade de aprimorar tecnicamente o batedor de marisco passou a integrar novas discussões. Em parceria com a Stellantis, os jovens têm a oportunidade de vivenciar desafios reais da indústria e participar de experiências de co-criação em ambiente produtivo, aproximando o aprendizado de sala de aula das demandas do mundo do trabalho.

“O meu orgulho é que está dando certo”, afirma Roberthy.

Na trajetória do jovem, a robótica passa a se relacionar diretamente com território, trabalho e possibilidades concretas de transformação. “Não é só para Atapuz. Isso pode ajudar todas as comunidades que trabalham com marisco.”

Hoje, o projeto acontece em Goiana (PE), Betim (MG) e Porto Real (RJ), conectando diferentes territórios na mesma trilha de formação tecnológica e humana para jovens.

Fortalecer vínculos e sustentar trajetórias

Se no Rota do Saber a educação amplia repertórios e desperta novas possibilidades ainda na adolescência, o Formare representa uma etapa seguinte: a transição entre formação e inserção concreta no mundo do trabalho.

Voltado a jovens em fase de construção de autonomia, o Formare é desenvolvido pela Fundação Iochpe, em parceria com a Stellantis e implementação sociofamiliar da AVSI Brasil, o programa conecta qualificação profissional, desenvolvimento humano e acompanhamento contínuo para ampliar oportunidades educacionais e profissionais.”

Realizado dentro do ambiente corporativo, o programa oferece bolsa de estudos, experiência prática, desenvolvimento comportamental e acompanhamento sociofamiliar, incluindo visitas domiciliares e suporte próximo às famílias.

Essa estrutura considera preparação para o trabalho, além dos desafios emocionais, familiares e sociais que influenciam diretamente a trajetória dos participantes.

Essa metodologia fortalece competências profissionais, autoestima, segurança e perspectiva de futuro.

Na trajetória de José Carlos, em Porto Real-RJ, o programa atua em um momento decisivo: quando formação, acompanhamento e oportunidade se tornam ferramentas concretas para reconstrução de autoestima e projeto de vida.

Após perder o pai aos nove anos, José Carlos passou por um processo profundo de retraimento. Segundo sua mãe, Márcia Cunha, o luto impactou diretamente sua autoestima, sua forma de se relacionar e sua capacidade de projetar o futuro.

“Ele era muito quieto, muito reservado, não se abria, não falava. Desde quando perdeu o pai dele, ficou ainda mais fechado.” Esse cenário começou a mudar com sua entrada no Formare.

Ao longo da formação, José passou por um processo que envolveu crescimento técnico e transformação pessoal. A convivência, o ambiente formativo e o acompanhamento contínuo contribuíram para mudanças visíveis em seu comportamento, comunicação e visão de futuro.

“Começou a se desenvolver, a se expressar mais, a dar opinião. Foi um avanço muito grande pra ele.”

Uma das cenas mais marcantes para Márcia foi vê-lo, antes tão reservado, falando em público durante uma apresentação. “Quando vi meu filho lá na frente, dando palestra, fiquei admirada. Chorei muito.”

O programa também ajudou José a consolidar escolhas profissionais. Antes indeciso, passou a reconhecer com clareza seu interesse pela área de Tecnologia da Informação. “Ele falou: ‘mãe, é TI a minha área’, e se apaixonou.”

Com a bolsa recebida durante o programa, José passou a custear sua própria faculdade e ainda contribuir financeiramente em casa. “Com o que recebia, pagava a faculdade e ainda me ajudava com conta de luz.”

Para Márcia, esse processo representou reconstrução de autoestima, disciplina e autonomia. “O comprometimento dele foi algo que me marcou muito.”

Outro diferencial decisivo foi o acompanhamento familiar promovido pela AVSI Brasil, especialmente por meio das visitas domiciliares realizadas pela equipe. “A gente sabia que o filho estava em boas mãos.”

Ao final do percurso, José conquistou sua primeira oportunidade como Jovem Aprendiz e segue trabalhando enquanto investe em sua formação. “Meu filho entrou aqui uma pessoa e está saindo outra.”

Educação como percurso de transformação

As trajetórias de Roberthy e José Carlos mostram etapas diferentes de um mesmo processo: o acesso a oportunidades socioeducacionais capazes de ampliar horizontes e transformar perspectivas de vida ao longo do tempo.

Na experiência de Roberthy, esse percurso começa no acesso à tecnologia, no fortalecimento da criatividade, na leitura crítica da própria realidade e na possibilidade de construir soluções para desafios presentes em sua comunidade.

Programas consolidados como o Árvore da Vida reforçam essa lógica ao sustentar vínculos comunitários, permanência educativa e acesso contínuo a experiências formativas para crianças e adolescentes

Segundo o educador Ystael Rocha, esse processo fortalece desde cedo a percepção de capacidade e protagonismo. “O projeto mostra para eles que podem criar, podem aprender e podem transformar a realidade onde vivem.”

Na trajetória de José Carlos, essa mesma estrutura aparece em outra etapa da vida. A formação passa a sustentar reconstrução de autoestima, definição profissional, inserção no mercado de trabalho e construção de autonomia econômica.

No eixo socioeducacional da AVSI Brasil, educação se estabelece como estratégia contínua de desenvolvimento humano, redução de desigualdades e ampliação de oportunidades — permitindo que crianças e jovens avancem, em diferentes etapas da vida, na construção de futuros mais autônomos.

Socioeducacional

No eixo socioeducacional, a AVSI Brasil beneficiou diretamente mais de 8 mil crianças, adolescentes, jovens, educadores e famílias em 2025, com impacto indireto ampliado para dezenas de milhares de pessoas por meio de reforço escolar, tecnologia, formação profissional, oficinas culturais, qualificação docente e programas de desenvolvimento humano. As iniciativas estruturaram percursos contínuos de formação, articulando educação, inovação, cultura e preparação para o trabalho. Projetos como Ciranda Viva, Rota do Saber, Formare, Liga STEAM e Árvore da Vida fortaleceram protagonismo, permanência educativa e ampliação de oportunidades em territórios vulneráveis.