ACNUR e Folha de S.Paulo abrem inscrições para oficina de cobertura jornalística sobre refugiados

Oficina será realizada no dia 8 de abril para jornalistas e estudantes de comunicação, em especial para aqueles que atuam na região norte do país.

Foto: ST Soares (Exército Brasileiro)

No âmbito dos 70 anos da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e dos 100 anos da Folha de S.Paulo, as instituições vão promover uma oficina de cobertura jornalística sobre a questão das pessoas refugiadas no Brasil, apresentando conceitos, dados, fontes de informações e exemplos práticos da construção de matérias relacionadas à realidade das pessoas refugiadas no Brasil.

A oficina será realizada em formato virtual, via Teams, no dia 8 de abril, às 18h00 (horário de Brasília). Participarão do evento o oficial de comunicação do ACNUR, Luiz Fernando Godinho; do repórter da Folha de S.Paulo em Manaus, Fabiano Maisonnave; a oficial de comunicação AVSI, Camila Geraldo; e a promotora voluntária de informações aos venezuelanos, Mariluz Mariano, indígena da etnia Warao.

As inscrições devem ser feitas pelo preenchimento do formulário disponível em https://forms.gle/6wiSkAFMmCaHdhTN9. Dentre os inscritos, serão selecionados preferencialmente os profissionais e estudantes que atuem na região norte do país. São, ao todo, 50 vagas.

Na oficina, o ACNUR trará algumas referências para a construção responsável de conteúdos humanitários e apresentará um calendário de pautas a ser explorado pela imprensa em 2021, tendo como base o “Guia de Cobertura Jornalística Humanitária do ACNUR”, uma publicação que orienta profissionais e estudantes de comunicação sobre a produção responsável de matérias sobre o tema do deslocamento forçado.

“A contínua formação de profissionais de comunicação no Brasil e no mundo é um elemento fundamental para assegurar que as pessoas refugiadas, que buscam proteção por conta de guerras, perseguições e violações de direitos humanos, sejam compreendidas pela população dos países de acolhida. Os jornalistas têm um papel único para assegurar a perspectiva dos direitos humanos na abordagem sobre essa população, afirma Jose Egas, Representante do ACNUR no Brasil.

La Voz de los Refugiados

No último mês, foi inaugurado o projeto RadioLab – “Lá Voz de los Refugiados”, uma iniciativa da ACNUR em parceria com a AVSI Brasil, financiado pelo Ministério de Cooperação de Luxemburgo, com o principal objetivo de combater fake News, que causam danos à refugiados e migrantes na fronteira do Brasil com a Venezuela.

Protagonizada por refugiados e migrantes, a rotina da rádio consiste em consultar a comunidade ao seu redor para entender as principais necessidades de informação, desinformação e rumores que circulam dentro e fora dos abrigos. Os conteúdos são transmitidos em sistema de som analógico nos abrigos Rondon I, Rondon II e Rondon III durante as refeições. Além disso, os podcasts e áudios dos programas são compartilhados pelo Whatsapp para atingir ainda mais pessoas dentro e fora dos abrigos.

Exposição sobre jornalistas refugiados no Brasil

Composta por fotos, textos e recursos audiovisuais produzidos pela Folha de S.Paulo e pelo ACNUR, a exposição “Quem conta essa história: jornalistas refugiados ou refugiados jornalistas?” foi aberta em fevereiro deste ano e apresenta os motivos do deslocamento forçado, a trajetória e o processo de integração de quatro jornalistas. Conforme contam os repórteres da Folha de S.Paulo, Carlos, Claudine, Kamil e Victorios tiveram que deixar respectivamente a Venezuela, República Democrática do Congo, Turquia e Síria em busca de proteção internacional no Brasil.

“Os relatos destes jornalistas conferem materialidade, rosto e sentimentos aos dados dos rankings de liberdade de imprensa e nos ajudam a entender como se dá, na prática, a intimidação de governos contra meios de comunicação e seus profissionais”, relata Flávia Mantovani, jornalista da Folha e uma das coordenadoras do projeto.

A exposição segue em cartaz no Museu da Imigração, em São Paulo, até o final de maio. Uma prévia da exposição pode ser vista na página do ACNUR (https://www.acnur.org/portugues/jornalistasrefugiados) e também nas reportagens produzidas pela Folha de S.Paulo.