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AVSI Brasil aproxima autoridades do método APAC em visita a Paracatu

Comitiva conheceu, na prática, uma metodologia de execução penal baseada na corresponsabilidade, na dignidade humana e na reintegração social

Por: Tayna Silva

Representantes da Embaixada da Itália no Brasil, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) e de outras instituições conheceram o funcionamento da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Paracatu – MG, em visita promovida pela AVSI Brasil. A agenda aproximou autoridades e organizações de uma experiência de execução penal que une responsabilidade, participação e preparação para a reintegração social.

A comitiva contou com a presença de Alessandro Cortese, embaixador da Itália no Brasil, e Elena Abbati, diretora do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) no país. Também participaram Edoardo Berzi, da Embaixada da Itália; Ana Carolina Pekny, da UNODC; irmã Rosita Milesi e Riccardo Zellini, do IMDH; e Antônio Henrique Ribeiro e Marcos de Oliveira, do Instituto Arcanjos.

Pela AVSI Brasil, estiveram presentes: o presidente Fabrizio Pellicelli; a gerente-geral em Minas Gerais, Déborah Amaral; a coordenadora da Casa Bom Samaritano, em Brasília – DF, Graziella Guimarães; e a gerente de projetos, Jéssica Monteiro.

A programação reuniu também: o prefeito de Paracatu, Pedro Aguiar; a juíza da comarca de Paracatu, Letícia Fontes Guedes; o promotor de Justiça Joaquim de Assis; a presidente da APAC, Jeane dos Reis; o fundador da unidade, Eurípedes Tobias; o diretor da Fraternidade Brasileira de Assistência ao Condenado (FBAC), Ari de Jesus; e colaboradores da instituição.

Conhecer para ampliar o diálogo

Durante a visita, os participantes percorreram as instalações da APAC e conheceram a rotina do Centro de Reintegração Social. A recepção foi conduzida pelos próprios recuperandos, que participam da gestão cotidiana da unidade. A comitiva passou pelas celas, pelo refeitório, pelas salas de aula e pelos espaços de convivência, além de conhecer atividades de trabalho e geração de renda desenvolvidas em áreas como panificação, marcenaria e artesanato.

O percurso incluiu uma roda de conversa entre os visitantes, a direção da APAC e os recuperandos. O contato direto permitiu compreender como a metodologia combina disciplina, confiança, educação, trabalho e corresponsabilidade, sem a presença de guardas armados dentro da unidade.

A experiência também abriu espaço para refletir sobre uma abordagem da justiça que não reduz a pessoa ao erro cometido. Ao mesmo tempo em que reconhece a responsabilidade individual, o método cria condições para que cada recuperando participe ativamente do próprio processo de mudança e de preparação para a vida em sociedade.

Mais de 15 anos de parceria

A AVSI Brasil atua em parceria com as APACs há mais de 15 anos e integra uma rede dedicada ao fortalecimento e à divulgação da metodologia no Brasil e em outros países. Entre as frentes dessa colaboração está a realização de missões institucionais, que possibilitam a gestores públicos, representantes de organismos internacionais e outras lideranças conhecer o modelo em funcionamento.

Na promoção dessa aproximação, a AVSI Brasil contribui para enfrentar preconceitos, ampliar o conhecimento público sobre alternativas de reintegração social e estimular o diálogo com instituições que podem apoiar o aprimoramento da política de execução penal.

A iniciativa expressa uma forma de atuação baseada na centralidade da pessoa e na construção conjunta de respostas para desafios complexos. A AVSI Brasil se destaca como uma articuladora de parcerias multissetoriais e, contexto das APACs, conecta sociedade civil, poder público e organismos internacionais em torno de soluções que conciliam justiça, cidadania e respeito à dignidade humana.