Anuncio

AVSI Brasil promove ações de comunicação comunitária para prevenir riscos do calor extremo em Roraima

Por Maiara Bersch – Roraima 

Em Roraima, as altas temperaturas e a estiagem representam desafios para a saúde e o bem-estar da população, especialmente de crianças, pessoas idosas, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Para ampliar a prevenção aos riscos associados ao calor extremo, a AVSI Brasil desenvolveu ações de comunicação comunitária nos abrigos que acolhem famílias refugiadas e migrantes venezuelanas em Boa Vista. 

As atividades reuniram conteúdos educativos em diferentes idiomas, entrevistas com especialistas e rodas de conversa com moradores, ampliando o acesso à informação e promovendo a troca de conhecimentos sobre medidas de proteção e cuidados com a saúde. 

Uma das principais ferramentas utilizadas foi a rádio comunitária La Voz de los Refugiados, que atua como espaço de informação, diálogo e participação dos moradores. A programação contou com a produção de spots informativos e entrevistas ao vivo com especialistas, realizadas em espaços comunitários dos abrigos, aproximando as orientações técnicas do cotidiano das famílias. 

Durante as transmissões, os moradores também foram convidados a compartilhar suas experiências e participar de dinâmicas interativas, como a atividade de verdadeiro ou falso, que estimulou a reflexão e a troca de conhecimentos sobre os cuidados necessários durante os períodos de calor intenso. 

Segundo Aymê Tavares, analista de Comunicação da AVSI Brasil e ponto focal da rádio, a iniciativa contribui para tornar as informações mais acessíveis às famílias acolhidas. 

“A rádio comunitária é uma ferramenta fundamental para aproximar a informação da realidade das famílias que vivem nos abrigos. Buscamos utilizar esse espaço para conscientizar os moradores sobre os impactos do calor extremo, compartilhar orientações práticas de prevenção e incentivar hábitos que contribuam para a saúde e o bem-estar de todos”, destaca. 

Comunicação que valoriza idiomas e saberes 

Nos abrigos que acolhem comunidades indígenas, as ações também valorizaram os conhecimentos tradicionais e as formas de organização comunitária. Com a participação da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), rodas de conversa reuniram lideranças e grupos de mulheres artesãs para compartilhar experiências sobre os desafios enfrentados durante os períodos de calor intenso e as estratégias adotadas pelas famílias para lidar com essas condições. 

Durante a atividade, Maria Luzbeli Nunez, artesã Warao que vive no abrigo com seu filho de 5 anos, compartilhou os cuidados que adota nos dias mais quentes. “Percebo que, quando a criança começa a chorar, é por causa do calor. Dou banho, ofereço mais água e deixo na sombra. Precisamos estar sempre atentos aos nossos filhos e às pessoas mais velhas”, comenta. 

Outro aspecto importante foi a acessibilidade linguística. Além dos conteúdos em espanhol, a iniciativa contemplou a gravação de spots informativos em warao, ampliando o alcance das orientações de prevenção nos abrigos indígenas e considerando as especificidades linguísticas das comunidades. 

A produção contou com a participação de Julianita Jimenez, assistente de campo da AVSI Brasil e indígena Warao. Antes de integrar a equipe da organização, ela viveu em um dos abrigos de Boa Vista. Na atividade, contribuiu para a produção das mensagens em seu idioma, aproximando as orientações das comunidades indígenas e favorecendo sua compreensão. 

“Me sinto muito feliz por fazer parte desta equipe, porque assim também posso ser um eco para os povos indígenas, especialmente para o povo Warao, ajudando a transmitir essas informações para que todos possam compreender sua importância”, conta. 

A produção de vídeos com a participação dos próprios moradores também integrou as ações. Os materiais foram divulgados nas carteleras (paineis) digitais dos abrigos, ampliando a circulação de informações nos espaços de convivência e incentivando a participação dos moradores na produção e disseminação das mensagens. 

Prevenção e proteção diante das mudanças climáticas 

As ações de prevenção ganham relevância diante dos desafios climáticos enfrentados pela região Norte, onde períodos de estiagem e temperaturas elevadas podem ampliar os riscos à saúde da população. 

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. No Norte do Brasil, seus efeitos podem incluir a redução das chuvas em determinadas áreas e períodos, agravando condições de seca e os riscos associados às altas temperaturas. 

O calor intenso pode provocar desidratação, tontura, cansaço e dores de cabeça e, em situações mais graves, quadros de exaustão térmica e insolação. Crianças pequenas, pessoas idosas, gestantes e pessoas com doenças crônicas merecem atenção especial, pois podem apresentar maior vulnerabilidade aos efeitos das temperaturas elevadas. 

Medidas como manter a hidratação, evitar a exposição direta ao sol nos horários mais quentes, buscar ambientes ventilados e reconhecer precocemente sinais de adoecimento são fundamentais para reduzir esses riscos. 

As ações são desenvolvidas pela AVSI Brasil no âmbito do projeto Gestão de Abrigos, realizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A iniciativa integra os esforços da Operação Acolhida, com apoio da Força-Tarefa Logística Humanitária e de organizações parceiras, para fortalecer a proteção e o bem-estar das pessoas refugiadas e migrantes acolhidas em Roraima. 

Com informações acessíveis em diferentes idiomas e a participação dos moradores na produção dos conteúdos, a AVSI Brasil fortalece a comunicação comunitária como ferramenta de prevenção. As ações também reconhecem as experiências e os conhecimentos das famílias acolhidas, valorizando sua participação na construção de estratégias para enfrentar os impactos do calor extremo.