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Chefe da Operação Acolhida visita instalações de centro de acolhimento para venezuelanos em Brasília

Espaço é destinado para acomodação temporária de migrantes e refugiados venezuelanos que serão interiorizados de Roraima para o Distrito Federal, a partir de oportunidades de trabalho

A partir de 2021, Brasília irá contar com um novo espaço destinado a acolher temporariamente migrantes e refugiados venezuelanos, interiorizados de Roraima para o Distrito Federal. A iniciativa faz parte do projeto Acolhidos por meio do trabalho, implementado pela AVSI Brasil e Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), com o financiamento do Departamento de População, Refugiados e Migração (PRM), do governo dos EUA.

Elaborado para fortalecer as ações da Operação Acolhida – força tarefa humanitária liderada pelo governo federal, o projeto conta também com o apoio institucional da Casa Civil da Presidência da República, da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e de entidades da sociedade civil que atuam na temática do refúgio e da migração.

O comandante da Operação Acolhida, general chefe Antonio Manoel de Barros, esteve em Brasília na quinta-feira (10) para conhecer as novas instalações a convite do diretor-presidente da AVSI Brasil, Fabrizio Pellicelli. A visita antecede a inauguração do prédio, previsto para acontecer no início do próximo ano.  

“Fico contente por conhecer este espaço. Está estrategicamente bem colocado e poderá fortalecer ações específicas de interiorização. É revigorante e estimulante saber que, além de um centro de acolhida, o local oferece condições para capacitações e oficinas que irão potencializar o perfil profissional de venezuelanos e brasileiros em situação de vulnerabilidade, oportunizando sua reinserção junto à sociedade”, disse o comandante.

O centro de acolhida para a inserção social e laboral de migrantes irá funcionar em um imóvel cedido pela Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e será gerenciado conjuntamente com o IMDH, servindo como uma residência temporária para núcleos familiares e indivíduos em sistema rotativo de acolhida, de grupos de até quinze famílias, interiorizadas pelo trabalho, que se revezarão no período não superior a três meses, integrando-se o desenvolvimento de atividades multidisciplinares. 

Para irmã Rosita Milesi, fundadora do IMDH e que irá contribuir estrategicamente com a gestão do centro de acolhida, o novo espaço será um local onde as pessoas possam superar um pouco as dificuldades do caminho migratório pelo qual passaram, tenham oportunidade de recuperar as forças e possam se organizar para reiniciar um processo de efetiva integração, com plenas condições de prover seu próprio sustento e o de suas famílias.

“Estamos preparando um espaço digno, para que seja uma oportunidade fraterna e acolhedora aos migrantes. Queremos que ao chegarem, possam organizar-se e iniciar um processo de integração em Brasília, como seu novo local de residência”, explica irmã Rosita. Segundo ela, os migrantes e refugiados virão de Roraima, onde aguardam oportunidades de interiorização para outras localidades, com o objetivo de reconstruírem suas vidas. E nesta passagem, a fim de que elas possam iniciar, com pelo menos um integrante familiar empregado no mercado formal, eles tenham oportunidade de iniciar sua ambientação na cidade e procurar seu local de moradia. “É importante saberem que terão um ‘oásis’ no seu caminho de integração, isto é, uma parada, transitória, de curta duração, mas importante para prosseguir em seu caminho de estabelecer-se com autonomia”, destaca.

Irmã Rosita é reconhecida nacionalmente com referência em direitos dos povos migrantes. Advogada e mestre em Migração e Refúgio na Universidade Pontifícia Comillas (Madri, Espanha), e é uma das autoras mais importantes do país no que diz respeito a regulamentações, propostas de leis e advocacy em prol da proteção e integração de refugiados, solicitantes de refúgio, migrantes e apátridas que necessitam de proteção internacional.

O projeto

Acolhidos por meio do trabalho é implementado pela AVSI Brasil e Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), com o envolvimento da Fundação AVSI e AVSI-USA e financiado pelo Departamento de População, Refugiados e Migração (PRM) do Governo dos Estados Unidos.

Entre as principais ações, o projeto prevê a colocação no mercado de trabalho e interiorização de venezuelanos adultos com suas famílias, além da inserção de brasileiros em situação de vulnerabilidade social no mercado de trabalho, e cursos preparatórios de língua portuguesa, capacitação profissional e formação em direitos e deveres laborais, entre outros aspectos.

Em um ano, o projeto já realizou a interiorização de 335 venezuelanos de Roraima para outros estados, como Santa Catarina, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal. Dos interiorizados, 183 deles foram contratados para o mercado formal e 152 são integrantes familiares. Outras 3 interiorizações ainda estão previstas até o final deste ano, para Minas Gerais e Santa Catarina.