Por: Dimicaele Borges
Quando ingressou no projeto, ainda criança, Tainan não imaginava que anos depois voltaria como estagiário. Mas foi por meio de vínculos afetivos, apoio dos educadores e incentivo aos estudos que ele passou a sonhar com um futuro diferente.
Morador da comunidade de Flechas — comunidade atendida pelo Programa Ciranda Viva há mais de dez anos —, Tainan integrou-se ao projeto aos 7 anos e envolveu-se em diversas atividades. Fez parte do projeto Ciranda Educativa, com rodas de leitura e cultivo de horta, e também do projeto Ciranda Esportiva, onde praticou futsal e jiu-jitsu. Segundo seus professores, era visível como os seus olhos brilhavam nas aulas de esporte.

Professores como inspiração
Sempre presente nas atividades do Ciranda Esportiva, Tainan era aluno aplicado nas aulas de jiu-jitsu com o professor Vanderson Gonçalves e nas de futsal e educação física com o professor Gledielson Costa. Mais do que professores, eles se tornaram referências para o garoto tímido, tanto pela atuação profissional quanto pelo lado humano.
Foi nesse ambiente que ele passou a se imaginar no lugar deles — ensinando. Aos 17 anos, sonhava em ser professor, mas ainda não sabia por onde começar.

O primeiro passo
No mesmo ano em que começou a alimentar esse sonho, Tainan foi convidado a atuar como estagiário de nível médio no próprio projeto. Essa foi a virada de chave.
Auxiliava em diversas tarefas, mas sua afinidade com a área esportiva era evidente. Foi quando o professor Gledielson teve a ideia de deixá-lo conduzir algumas aulas, sob supervisão. A experiência deu tão certo que o professor Vanderson também o convidou a guiar treinos de jiu-jitsu.
Mesmo com poucas palavras, Tainan demonstrava um talento natural para ensinar — e era respeitado pelas crianças.

Exemplo para os que vêm depois
As vivências no Ciranda Viva foram decisivas para sua escolha profissional. Ao concluir o estágio, Tainan decidiu: queria cursar Educação Física. “Se não fosse o projeto Ciranda Viva, eu seria um jovem totalmente sem perspectiva de estudos. Certeza que estaria trabalhando em alguma lavoura, sem nunca sonhar com algo além disso. O programa me fez sonhar e hoje sei que posso realizar”, afirma.
Hoje, aos 19 anos, ele é universitário e estagiário de nível superior na área que escolheu. Sua história inspira outros jovens atendidos pelo projeto a acreditar que a educação é o caminho para grandes conquistas.