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RECUPERANDOS DAS APACS PRODUZIRÃO 350 MIL MÁSCARAS DE PROTEÇÃO CONTRA CORONAVÍRUS

Com o lema “Humanizar a pena, promover a vida”, campanha nasce com cofinanciamento de 350 mil reais da União Europeia
Publicada em 12/06/2020
A meta é de produzir 350 mil máscaras que serão destinadas para a sociedade

 

Cerca de 400 recuperandos e recuperandas de 23 APACs de Minas Gerais e do Maranhão iniciaram uma campanha coletiva com a meta de produzir 350 mil máscaras para o enfrentamento do coronavírus, que serão destinadas para a sociedade. Com o lema “Humanizar a pena, proteger a vida”, a campanha é uma realização da AVSI Brasil e da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC).

 

A ação faz parte do projeto Além das Fronteiras Brasileiras (Más allá de las Fronteras), que irá destinar R$350 mil para as APACs envolvidas. Os recursos vêm da União Europeia, através do Instrumento Europeu para a Promoção da Democracia e dos Direitos Humanos (IEDDH), e serão utilizados para a compra de máquinas de costura e equipamentos de higienização e esterilização das máscaras, além da matéria-prima. O projeto conta com a parceria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, do Ministério Público de Minas Gerias e do Instituto Minas Pela Paz e Tribunal de Justiça do Maranhão.

 

Máscaras já vinham sendo produzidas em algumas APACs desde o início da pandemia, mas agora com a campanha “Humanizar a pena, promover a vida”, o projeto ganha corpo e direcionamento. “As máscaras serão entregues para as comunidades do entorno das APACs, Secretarias de Saúde, asilos, órgãos públicos e instituições beneficentes, além de servirem para a proteção dos próprios recuperandos e funcionários das APACs”, explica Jacopo Sabatiello, vice-presidente da AVSI Brasil. “Por meio desse projeto, o recuperando mostra-se solidário com a sociedade em um momento tão delicado”, completa Valdeci Antonio Ferreira, diretor geral da FBAC.

 

Para os dirigentes da AVSI e da FBAC, o projeto traz outros benefícios. “Além de aprenderem um ofício, os recuperandos colaboram para que mais pessoas tenham acesso à prevenção com o uso das máscaras, diminuindo o contágio da COVID-19”, diz Sabatiello. “O trabalho também ajuda no processo de socialização do recuperando, sem contar o fato de que a confecção das máscaras é uma ocupação a mais em um momento em que visitas de familiares estão proibidas, devido à pandemia”, diz Ferreira.

 

“Essas características explicam o lema da campanha: ao mesmo tempo em que humanizamos as penas, ajudamos a proteger e promover vidas”, explica Sabatiello. Segundo ele, as 350 mil máscaras deverão ser produzidas até agosto deste ano. Como a campanha deixará um legado de máquinas e capacitação nas APACs, a AVSI e a FBAC já pensam em uma continuidade do projeto após o fim da pandemia. Fabricação de roupas de cama e outros artigos já estão sendo estudados.

 

 

Contra os maus tratos aos privados de liberdade

 

Junto com a campanha “Humanizar a pena, promover a vida”, a AVSI e a FBAC pretendem divulgar o Método APAC, modelo comprovado na recuperação de condenados pelo sistema penal, e denunciar os maus tratos a que são submetidas as pessoas privadas de liberdade no sistema prisional comum. “Infelizmente, ainda hoje, dados da realidade penitenciária revelam casos de superlotação, ausência de atividades educacionais e formativas e, em muitos casos, tortura física e psicológica. Nesse contexto, as prisões configuram-se como ambientes inseguros que ameaçam o direito à vida e à integridade física e mental das pessoas privadas de liberdade”, diz Sabatiello, da AVSI.

 

O chamado Método APAC, por outro lado, é uma alternativa ao sistema prisional comum, tendo sido criado em 1972 por um grupo de voluntários liderado pelo advogado e jornalista Mário Ottoboni. Sua aplicação tem sido promovida pela Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), entidade civil sem fins lucrativos dedicada à recuperação e à reintegração social de condenados a penas privativas de liberdade. Sem perder de vista a finalidade punitiva da pena, a APAC acredita que a humanização das prisões contribui para a reintegração bem-sucedida do egresso na sociedade.

 

O projeto 

Desde novembro de 2017, a AVSI Brasil e FBAC iniciaram o projeto Além das Fronteiras Brasileiras (Más Allá de Las Fronteras), que tem como objetivo contribuir para o fortalecimento da sociedade civil no combate a atos de tortura, maus tratos, penas cruéis, desumanas e degradantes, através da consolidação/expansão do método APAC em 3 países latino-americanos: Chile, Costa Rica e Paraguai. O projeto é cofinanciado pela da União Europeia a partir do Instrumento Europeu para a Promoção da Democracia e dos Direitos Humanos (IEDDH).



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