O Centro de Compostagem de Resíduos Orgânicos de Boa Vista – CETRO-BV surgiu como uma das principais realizações do projeto Boa Vista Acolhedora: Um Modelo de Economia Circular, Regenerativa e Inclusiva, financiado pela União Europeia, com apoio da Fundação Banco do Brasil. A iniciativa responde ao desafio da destinação ambientalmente adequada de resíduos orgânicos urbanos, como restos de podas e resíduos alimentares, associando gestão ambiental, economia circular e desenvolvimento local.
Em operação desde dezembro de 2023, em Boa Vista (RR), o CETRO-BV é apontado como o primeiro centro da Amazônia Legal com foco exclusivo na destinação ambientalmente adequada de resíduos orgânicos urbanos. Sua infraestrutura foi planejada para o tratamento eficiente desses materiais, controle de odores e produção de composto orgânico, que pode ser utilizado para fortalecer práticas agrícolas orgânicas, agroecológicas e regenerativas no município e na região.
O público-alvo compreende os habitantes da cidade de Boa Vista e entorno, organizações da sociedade civil, associações de agricultores familiares, cooperativas agrícolas, pessoas migrantes e refugiadas, mulheres empreendedoras e autoridades locais. Entre os grupos e comunidades destacados estão agricultores familiares, a Comunidade Darora e o grupo de mulheres rurais “As Camponesas”.
Entre os principais objetivos estão promover a gestão sustentável dos resíduos orgânicos em Boa Vista, reduzir a quantidade de resíduos destinada a aterros, incentivar a educação ambiental e ampliar a conscientização da população sobre práticas sustentáveis. A iniciativa também busca fomentar a inclusão social e produtiva de agricultores familiares, conectando a produção de adubo orgânico ao fortalecimento da agricultura e da economia local.
As atividades desenvolvidas incluem o recebimento e tratamento de resíduos orgânicos, compostagem de restos de podas e resíduos alimentares, produção e destinação de adubo orgânico a agricultores familiares, além de oficinas de compostagem e ações de educação e conscientização ambiental. Essas atividades contribuem para disseminar práticas relacionadas à economia circular e incentivar formas mais sustentáveis de produção agrícola.
Entre os resultados registrados em 2025 estão 3.700 toneladas de resíduos orgânicos tratados e 700 toneladas de adubo orgânico produzidas. No mesmo período, o projeto beneficiou diretamente 280 agricultores familiares com o adubo e alcançou outras 300 pessoas indiretamente. Também foram realizadas duas oficinas de compostagem, com a participação de 30 pessoas. A operação do CETRO-BV conta ainda com uma equipe de oito colaboradores, formada por quatro indígenas do Abrigo Waraotuma a Tuaranoko e quatro brasileiros.
Além dos resultados quantitativos, o projeto registra avanços relacionados à redução do descarte inadequado de resíduos orgânicos, à segurança alimentar e à geração de oportunidades para agricultores familiares. O uso do composto contribui para reduzir custos de produção, melhorar a fertilidade do solo e ampliar a produtividade agrícola. As ações também favorecem a conscientização sobre sustentabilidade, economia circular e mudanças climáticas e promovem a inclusão social e produtiva de migrantes, refugiados e indígenas venezuelanos.
A iniciativa se relaciona diretamente à metodologia da AVSI Brasil ao colocar as pessoas e os recursos existentes no território no centro do processo de desenvolvimento, priorizando o diálogo, a participação de todos os envolvidos, a articulação entre agricultores, comunidades, poder público e organizações, reconhecendo as capacidades, os conhecimentos e as boas práticas locais para gerar novas oportunidades.
A metodologia também integram uma abordagem que envolve múltiplos parceiros, reunindo a AVSI Brasil, a Prefeitura de Boa Vista, a União Europeia, a Fundação Banco do Brasil, o Pacto Global, a Operação Acolhida, o ACNUR, a Fundação AVINA e a Escola Agrícola de Manaus. Dessa forma, o projeto conecta diferentes competências e recursos em torno de uma atuação que integra gestão ambiental, inclusão social, agricultura familiar e desenvolvimento local.








