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Refugiados e migrantes venezuelanos abrigados pela Operação Acolhida terão moradia temporária em Brasília a partir de oportunidades de emprego

Recém-inaugurada, a Casa Bom Samaritano tem capacidade para acolher 94 pessoas, sendo grupos familiares onde pelo menos um integrante é contratado para trabalhar na iniciativa privada, selecionado pelo projeto Acolhidos por meio do trabalho

Refugiados e migrantes venezuelanos que estão abrigados pela Operação Acolhida de Boa Vista (RR) já podem contar com uma moradia temporária em Brasília, a partir de oportunidades de emprego na região do Distrito Federal. Trata-se da Casa Bom Samaritano, inaugurada ontem (04) pela AVSI Brasil e Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH)/Irmãs Scalabrinianas, que implementam o Acolhidos por meio do trabalho – projeto financiado pelo governo norte americano, para apoiar a integração de social e socioeconômica de venezuelanos no Brasil.

A inauguração do novo espaço contou com a presença de diversas organizações que atuam sob a temática do refúgio e da migração, como a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Organização Internacional para as Migrações (OIM), além de representantes da Força Tarefa da Operação Acolhida, Embaixada dos Estados Unidos e da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) – que cedeu o imóvel ao projeto.

A Casa Bom Samaritano será gerenciada conjuntamente com o IMDH, servindo como uma residência temporária para núcleos familiares e indivíduos em sistema rotativo, de grupos de até quinze famílias, que se revezarão no período não superior a três meses, integrando-se no desenvolvimento de atividades multidisciplinares.

Durante a inauguração, o diretor presidente da AVSI Brasil, Fabrizio Pellicelli, disse que o espaço representa um marco, uma grande responsabilidade. “Sintetizo essa ação com três palavras chaves: dignidade, trabalho e aliança, pois planejamos este espaço para que ele represente um lugar de acolhimento, belo, confortável e de harmonia, onde as pessoas podem expressar sua dignidade. Ao mesmo tempo, entendemos que é através do trabalho que as pessoas podem construir suas vidas de forma autônoma, sem esmolas. Já a aliança simboliza estreitar relações com entidades públicas, da sociedade civil e com as empresas. Não podemos pensar uma ação dessas sozinhos”, disse.

Para o representante do ACNUR no Brasil, José Egas, a Casa Bom Samaritano oportuniza um espaço de acolhimento temporário para que os venezuelanos possam ter um recomeço em suas vidas, por meio de seu trabalho. “Desta forma eles terão condições de se auto sustentar, gerando renda para suas famílias, além de contribuírem com as comunidades brasileiras. Sabemos que é fundamental estreitar nossa parceria, e fortalecer capacidades para que os interiorizados possam ser acompanhados na pós-interiorização – uma ação que incorpora muitos desafios, pelo extenso tamanho do Brasil. ”, afirmou. Ele também ressaltou que a interiorização voluntária tem sido uma estratégia exitosa para que os migrantes possam acessar melhores oportunidades de integração no Brasil, além de contribuir para a redução de pessoas que ainda se encontram sem perspectivas nos abrigos de Boa Vista. “O engajamento de organizações da sociedade civil na estratégia de interiorização tem sido fundamental para a ampliação de oportunidades de realocação e recepção nas cidades de destino”, concluiu.

Já o coordenador operacional da Operação Acolhida, general Antônio Manoel de Barros, destacou que a ação conjunta de entidades parceiras possibilitou a interiorização de 46 mil pessoas no Brasil. Segundo ele, em janeiro deste ano, foram 1.360 interiorizações realizadas, sendo 800 para reunião familiar e 235 com vagas de trabalho sinalizadas. “Com a Casa Bom Samaritano, acredito que isso pode melhorar, pois o trabalho é a porta da dignidade. Saio daqui confiante, fortalecido e com a certeza de que temos que estar juntos na busca incessante pela dignidade de pessoas que não têm voz, espaço e muitas vezes, nem o direito a quem reclamar”.

Conheça a Casa Bom Samaritano

Primeiras famílias

De acordo com Thais Braga, gerente do projeto Acolhidos por meio do trabalho, as primeiras famílias devem chegar no início de março, depois que os venezuelanos sejam aprovados em seleções de trabalho junto à iniciativa privada na região do Distrito Federal. “A partir de um contato com empresas, a AVSI Brasil identifica os perfis e posições abertas. Em seguida, cruzamos essas informações com os dados mantidos no sistema cadastral do Exército Brasileiro e dos abrigos de Boa Vista para pré-selecionarmos potenciais candidatos para a vaga”, explica. Desta forma, uma lista de currículos é gerada e enviada para que a empresa faça uma avaliação dos candidatos e siga com as entrevistas.

“Já estamos realizando a prospecção de vagas na região do Distrito Federal e agora o próximo passo é iniciarmos a etapa de seleções, que deve se dar nas próximas semanas”, disse. Em 2020 o projeto Acolhidos por meio do trabalho realizou a interiorização de 420 venezuelanos, sendo 31 pessoas para a região do Distrito Federal, onde doze pessoas foram contratadas para trabalharem em uma rede de restaurante fast food e na área do varejo de construção civil.

O projeto

Lançado em outubro de 2019, o projeto Acolhidos por meio do trabalho prevê a colocação no mercado de trabalho e interiorização de venezuelanos adultos com suas famílias, além da colocação no mercado de trabalho de brasileiros em situação de vulnerabilidade social; e cursos preparatórios vinculados ao mercado de trabalho.

O Acolhidos por meio do trabalho conta com a parceria estratégica da Fundação AVSI e AVSI-USA e o apoio institucional da Casa Civil da Presidência da República, da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e de entidades da sociedade civil que atuam na temática do refúgio e da migração.

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