Por: João Santos e Claudio Trindade–DF
O projeto Acolhidos Por Meio Do Trabalho promove ações de capacitação e de formação profissional voltadas a refugiados e migrantes venezuelanos em cidades de Santa Catarina (SC). A parceria é idealizada através entre AVSI Brasil e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), a partir da oferta de cursos de na área administrativa, de gestão e português, conforme a demanda do mercado de trabalho em SC e de interesse do público imigrante, visando a autonomia e integração plena na região.

Ao chegarem ao Brasil, as famílias venezuelanas partem de Boa Vista a partir do apoio da Operação Acolhida, que promove o deslocamento via estratégia de interiorização até a chegada no município de destino, em Santa Catarina. No estado, o projeto Acolhidos promove ações de integração que facilitam a inserção social e econômica dos migrantes, além de um acompanhamento das famílias e garantia de moradia temporária por até três meses.
Segundo Amanda Cegatti, coordenadora local da AVSI Brasil em SC para o projeto Acolhidos, as ações de capacitação foram pensadas após um levantamento sobre os cursos com maior potencial de empregabilidade na região. Ela explica que muitos imigrantes venezuelanos já chegam com boa experiência profissional, que é reconhecida no Brasil, mas procuram se atualizar e adaptar suas habilidades às demandas do mercado de trabalho local.
“Enquanto instituição, sabemos dos desafios que os migrantes enfrentam para encontrar oportunidades de emprego, já que muitos não possuem certificados válidos no Brasil. Por isso, a proposta desses cursos é ampliar as chances de inserção no mercado, oferecendo melhores alternativas do que a trabalhos com baixa remuneração ou alto grau de periculosidade”, afirma Amanda.

Localizado no Oeste catarinense, Chapecó é um dos principais polos industriais do estado, o que aumenta a demanda por profissionais qualificados na região. Nesse contexto, o supervisor de educação do SENAI-Chapecó, Jonas Coser, explica que “o curso foi criado para atender tanto o público quanto as indústrias locais. Ele foi customizado para facilitar a recolocação profissional e para oferecer um diferencial na carreira de quem já está empregado.”
Para o beneficiário venezuelano Gabriel Gonzalez, o curso de finanças proporcionou uma grande oportunidade de crescimento. “Você consegue desenvolver grandes conhecimentos e evoluir pessoal e profissionalmente. Sinto-me mais preparado, porque é um conhecimento intermediário. Aprendemos muito sobre a parte financeira, cronogramas, tabelas de organograma, como organizar o planejamento do dia a dia e as etapas de admissão e demissão”, destacou.

O trabalho conjunto entre as instituições tem sido crucial para o desenvolvimento de habilidades e para o protagonismo dos refugiados e migrantes na região, capacitando-os para enfrentar os desafios do mercado de trabalho local e promovendo sua integração social.
Segundo Stevenson Junior, consultor de capacitação da AVSI, “os cursos responderam muito bem às demandas da instituição, cujo objetivo é tornar o migrante o próprio protagonista. O curso dá ao migrante uma ferramenta para conseguir se inserir no mercado de trabalho local”.

O objetivo do curso é oferecer uma primeira visão sobre algumas das ferramentas disponíveis para os migrantes. De acordo com Caroline Tombine, especialista de ensino no Senai-Chapecó, este é um caminho possível. “É um conteúdo que pode ser aplicado em diversos cenários. Damos ferramentas para que eles consigam se inserir em diferentes contextos, onde quer que estejam atuando”, afirmou.
Ao promover formação qualificada e fortalecer a integração de migrantes venezuelanos, o projeto mostra como iniciativas bem estruturadas podem transformar trajetórias. A combinação entre capacitação, apoio institucional e oportunidades reais de trabalho reforça o compromisso da região em oferecer condições para que essas famílias reconstruam suas vidas com autonomia e pertencimento.