Por Cauã Peres (RR)
A equipe da Rádio La Voz de los Refugiados realizou três oficinas de fotografia voltadas aos migrantes e refugiados venezuelanos dos abrigos Rondon 5, Janokoida e Waraotuma A Tuaranoko, em Boa Vista (RR). A iniciativa teve como objetivo estimular a criatividade e compreender como eles enxergam, a partir de suas próprias vivências, os espaços onde vivem.
As atividades foram divididas entre momentos teóricos e práticos. Inicialmente, os participantes receberam orientações básicas de fotografia e técnicas para produção de imagens. Em seguida, saíram a campo para registrar, por meio das câmeras, seus olhares e percepções sobre o cotidiano nos abrigos.
No Rondon 5 e no Janokoida, as oficinas foram realizadas com jovens, que demonstraram entusiasmo e participação ativa durante todo o processo. Muitos relataram que foi a primeira vez que tiveram contato mais profundo com a fotografia, destacando a oportunidade de aprender algo novo e de expressar sentimentos e ideias por meio das imagens.
Segundo Aymê Tavares, analista de comunicação da AVSI Brasil, a proposta foi valorizar a perspectiva de quem vivencia diariamente a realidade dos abrigos. “A oficina foi muito importante porque conseguimos fazer com que as pessoas participassem e mostrassem como percebem o lugar onde vivem. Utilizando a câmera, conseguimos enxergar aquilo que só quem vive essa realidade pode ver”.
Já no abrigo Waraotuma A Tuaranoko, a atividade foi desenvolvida com pessoas idosas e incluiu uma visita ao Bosque dos Papagaios, onde os participantes fotografaram a natureza e vivenciaram um momento de lazer e integração. A ação ganhou um significado especial ao unir aprendizado e memória
Para Edicmarys Gamardo, assistente de proteção de base comunitária da AVSI Brasil no Waraotuma A Tuaranoko, a oficina representou mais do que uma atividade artística. “Não foi apenas uma oficina de fotografia. Foi um encontro com a criatividade e com o direito de continuar aprendendo. Vimos curiosidade, alegria e vontade de experimentar”.
Entre os participantes estava Ana Rivero de Álvarez, de 71 anos, moradora do abrigo e pertencente à etnia Pemón. Emocionada ao segurar uma câmera digital pela primeira vez, ela descreveu o passeio como uma experiência marcante. “Eu me sinto como uma criança… é uma alegria muito grande. É a primeira vez, desde que vim para Boa Vista, que vivo algo assim”, contou.
Por meio do Projeto Gestão de Abrigos, uma parceria entre a AVSI Brasil e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome – MDS, a iniciativa promove ações que fortalecem o protagonismo, a proteção e a integração comunitária. Ao permitir que refugiados e migrantes registrem suas próprias histórias e perspectivas, as oficinas consolidam a arte como ferramenta de expressão, cuidado e desenvolvimento.











